Publicações de Artigos Sobre Negócios na Revista Terra Magazine

Gadêlha, M.C.. Cenário econômico e perspectivas para Pernambuco em 2019. Revista Terra Magazine, Recife, 48a edição, p.78, abr./2019

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CENÁRIO ECONÔMICO E PERSPECTIVAS PARA 2019

Quando o ex-governador Eduardo Campos assumiu o governo em 2007, entre outros investimentos no Porto de Suape, estavam previstos uma refinaria, dois estaleiros, um complexo químico-têxtil e uma montadora de automóveis.
Esses empreendimentos foram impulsionados por grandes investimentos públicos facilitados pela relação de proximidade entre o ex-governador e o ex-presidente Lula. Naquele contexto a economia de Pernambuco crescia mais do que a do país, chegando a 9,50% em 2010, contra um crescimento de 7,50% da economia brasileira.
A construção civil avançou de 19% para 22% da economia do estado, período em que chegamos a ter de 40 a 50 mil pessoas trabalhando somente na Refinaria Abreu e Lima. A partir de 2012, já se observavam os efeitos da seca e certa redução no ciclo de expansão da construção civil, quando o estaleiro e a primeira parte da refinaria já estavam prontos.
Com a deflagração da Operação Lava Jato, as principais empreiteiras que trabalhavam na construção da Refinaria Abreu e Lima foram "dragadas" pelo escândalo de corrupção. Sem receber, passaram a ter problemas de caixa e a dever a fornecedores e empregados. A Petrobras suspendeu as obras do segundo "trem" de refino, deixando a refinaria pela metade.
Pernambuco perdeu mais de 136 mil empregos. A Transpetro cancelou a construção de sete navios encomendados ao Estaleiro Atlântico Sul e três para o Vard Promar. A Companhia Petroquímica de Pernambuco (PQS) e a Companhia Têxtil Integrada de Pernambuco (CITEPE), que custaram R$ 9 bilhões, foram vendidas por R$ 1,2 bilhão para a mexicana ALPEK.
Nesse mesmo cenário, o polo automotivo de Goiana na Mata Norte, um dos mais modernos do mundo, embora enfrente gargalos de infraestrutura, produz para além do mercado brasileiro em crise. Juntos a fábrica da Jeep e seus principais fornecedores empregam aproximadamente 9.000 pessoas. A produção planejada para 2019 é de 250 mil veículos, quando deve ser atingida a capacidade máxima, embora o projeto original já contemple expansão.
Apesar do polo de goiana, o impacto decorrente do declínio ocorrido no Porto de Suape é tão grande, que a economia de Pernambuco não mais voltará a crescer, acima dos patamares alcançados pelo país, taxas observadas no período anterior ao da crise, a menos que haja um "fato" novo muito relevante.
Crescimentos menores da economia, associado à grande transformação tecnológica que vem ocorrendo, principalmente no varejo, representa um novo cenário de "stress" para a atividade empresarial que nunca mais será a mesma.
O sucesso de nossas iniciativas para suplantar as dificuldades no âmbito estadual, pode ser potencializado ou impactado negativamente pelos cenários a nível nacional e internacional.
No âmbito nacional, a capacidade política do governo Bolsonaro para responder as demandas relativas à segurança pública, a corrupção, as "reformas", a redução do "déficit" público e da divida, assim como as questões ambientais, decorrentes do acidente da Vale do Rio Doce em Brumadinho, terá forte impacto sobre a economia do país e consequentemente sobre o crescimento de Pernambuco.
No ambiente externo há sinais de uma nova fase de turbulência, sobretudo pela desaceleração da economia chinesa, o que deve se propagar para outros países mais dependentes daquela economia.Esse cenário tão complexo para os negócios, requer comportamentos, estratégias e ações diferentes. Assim, nossas lideranças vão precisar cada vez mais desenvolver a capacidade de inovação. No varejo, esta capacidade vai precisar muito da tecnologia da informação, principalmente como decorrência do crescimento das lojas virtuais, lojas conceito e das lojas mistas que combinam as duas modalidades. 

Gadêlha, M.C.. Holding patrimonial como instrumento de planejamento sucessório. Revista Terra Magazine, Recife, 47a edição, p.80, dez./2018.

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HOLDING PATRIMONIAL COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO

Holding é uma palavra de origem inglesa que vem do verbo "to hold", que significa segurar, controlar, manter. Do ponto de vista empresarial, a palavra denota sociedades que visam principalmente adquirir quotas ou ações do capital social de outras empresas, com a finalidade de controlá-las.

Existem diversos tipos de holding, neste artigo são tratados os principais aspectos relacionados à holding patrimonial, mais importante de todas. Este tipo de sociedade, apresenta uma perspectiva de banco de investimentos e de controle de sucessão, com economia de tributos sucessórios e imobiliários.

Assegura principalmente controle societário, minimizando dificuldades de consenso e protegendo o patrimônio pessoal do sócio ou acionista, frente as inúmeras situações de responsabilidade solidária das quais participa.

Proporciona incentivos fiscais na tributação dos rendimentos dos bens particulares como pessoa jurídica, como no caso do recebimento de aluguéis, lucros e dividendos, juros e transferência de bens, entre outros.

Permite a concentração do patrimônio familiar com a finalidade de facilitar a gestão coletiva, disciplinando a participação de cada membro da família, reduzindo eventuais conflitos familiares no ambiente empresarial, pela despersonalização proporcionada pela formação da pessoa jurídica.

A transferência dos bens para a holding patrimonial, ocorre através da constituição da empresa, ou seja, a partir da elaboração e do registro na junta comercial do respectivo contrato social, assim como pelo aumento do seu capital social nele previsto.

Como principais vantagens na sucessão, destaca-se em primeiro lugar, a possibilidade de doação de quotas ou de ações em favor dos sucessores com reserva de usufruto, eliminando a necessidade de inventário. Em segundo lugar, a isenção ou redução do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação - ITCMD, a depender do caso. Em terceiro lugar, a utilização de cláusulas de incomunicabilidade, impenhorabilidade e inalienabilidade, com o objetivo de proteger o patrimônio dos sucessores, no caso de matrimônios e eventuais dívidas futuras. Em quarto lugar, o estabelecimento de regras predeterminadas segundo a vontade dos pais, eliminando o litígio sobre a posse e a administração da herança. Por último, o fato de que na holding o que é passível de penhora são os frutos e rendimentos produzidos pelas quotas ou ações, conforme a legislação pertinente.

Como principais vantagens tributárias, destaca-se em primeiro lugar, os lucros e dividendos recebidos pela holding, que são isentos de Imposto de Renda - IR e de contribuições, se já foram tributados na empresa investida. Em segundo lugar, o fato de que nos rendimentos dos aluguéis a tributação não passa de 12,33%, contra 27,5% no caso da pessoa física. Em terceiro lugar, na alienação de imóveis através de cisão, não existe incidência do imposto "intervivos", ou sequer necessidade de escritura pública, o que desonera sensivelmente a operação. Por último, nas sucessões hereditárias, o recolhimento do ITCMD é realizado sobre o valor das quotas ou ações, ou seja, com base no histórico e não sobre o valor de mercado como seria no inventário comum.

Assim, para a criação de uma holding patrimonial, num primeiro momento deve-se constituir uma sociedade empresária, de forma a que todo o patrimônio da pessoa física ou do casal de patriarcas deve ser integralizado no capital social da empresa.

Num segundo momento, as quotas ou ações dessa sociedade devem ser transferidas no próprio contrato social para os herdeiros, mediante cláusula de doação, estabelecendo o modelo de distribuição de acordo com a vontade dos doadores.

Após a integralização dos bens na holding patrimonial, os patriarcas terão total controle e gestão sobre a sociedade e seu patrimônio, como usufrutuários e administradores, de forma que não há validade de ato praticado pela sociedade, sem que haja anuência dos doadores.

As cláusulas restritivas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade, caracterizam a holding patrimonial como modelo de divisão de patrimônio em vida, evitando a dilapidação após morte dos patriarcas, reduzindo os custos tributários e os desgastes que um processo de inventário normalmente causa.

Logo, um planejamento sucessório elaborado mediante a constituição de uma holding patrimonial, se apresenta de forma extremamente atraente, pois evita dilapidação do patrimônio, reduz custos, litígios e, de forma diferenciada, a demora de um processo de inventário, que a depender do porte do patrimônio a ser inventariado, pode se arrastar por anos. 

Gadêlha, M.C.. Villa Empreendimentos: Vencendo a crise e liderando o segmento no Brasil. Revista Terra Magazine, Recife, 47a edição, p.58-59, dez./2018.

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VILLA EMPREENDIMENTOS: VENCENDO A CRISE E LIDERANDO O SEGMENTO NO BRASIL

Velocidade de reposicionamento e de compatibilização entre aquisições de equipamentos, projeções e cronogramas de finalização de obras, essas são as principais estratégias do empresário Bruno Giestosa da "Villa Empreendimentos", para vencer a crise e transformar sua empresa na maior do país no seu segmento

Administrador de empresas, casado e com três filhos, o empresário Bruno Giestosa de 41 anos, iniciou sua vida profissional como empreendedor aos 17 anos. Nestes 24 anos, foi responsável pela "formatação" de diversos modelos de negócios exitosos, que hoje fazem parte de um grupo empresarial sob o seu comando. Entre estes negócios destaca-se a criação da Multiplic Factoring Comercial em 2000 e, da Villa Empreendimentos - Soluções em Bombeamento de Concreto em 2007.

Nesse mesmo período, o lançamento de loteamentos tem sido fruto de atenção especial do empresário, que no momento vem focalizando o empreendimento Nova Gravatá, composto por 900 lotes e com Valor Geral de Vendas - VGV superior a R$ 50 milhões.

O grupo controla ainda, 80% da franquia máster do Açaí Concept na Europa, maior franquia de açaí do mundo. A empresa foi criada com foco em produtos saudáveis de fast-food, para consumidores de elevado padrão de exigência.

O principal negócio do grupo a Villa Empreendimentos, engloba soluções para projetos de qualquer porte, na locação de caminhões betoneira, bombas e usinas de concreto.

A empresa cujo escritório central ocupa um andar no Empresarial JOPIN no bairro do Pina em Recife, também ocupa aproximadamente 40.000 M2 de área, entre pátios e galpões no município de Bezerros, incluindo toda a infraestrutura de pessoal, almoxarifado e de oficinas de manutenção em todas as especialidades, principalmente de elétrica, mecânica, hidráulica e pintura.

Com cinco sócios na sua composição, o grupo empresarial passou a contar com executivos como Joaquim Tito, responsável pela área operacional e Paulo Siqueira e Horário Forte, responsáveis pela área comercial, com participações diferenciadas a depender do negócio.

A Villa foi criada considerando o déficit existente na época em Pernambuco, de bombas e de betoneiras de concreto, assim como o crescimento da economia do estado, que entre 2009 e 2014 cresceu mais do que a do país. Só para que se tenha uma ideia sobre aquele momento de pujança, em 2010 quando o Brasil alcançou o 3º maior PIB do planeta, 7,50%, o PIB de Pernambuco foi de 9,30%.

Aproveitando esse crescimento extraordinário, a Villa que chegou a crescer 500% em um só ano, com mais de 200 equipamentos, atuou em obras como o Estaleiro Atlântico Sul, Refinaria Abreu e Lima, Ferrovia Transnordestina até a sua paralização, estádios da Copa do Mundo em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, assim como nas obras de transposição do Rio São Francisco, em andamento.

Merece ainda destaque nesse contexto, grande parte das obras do complexo da Fiat em Goiana, e principalmente da Companhia Siderúrgica do Pecém - CSP, no Ceará.

A partir de 2014 quando a economia começou desacelerar, a construção civil que havia avançado de 19% para 22% da economia do Estado, entrou em crise. Toda a cadeia da construção civil foi fortemente impactada, incluindo a Villa. No pico do crescimento, somente a Refinaria Abreu e Lima chegou a ter entre 40 e 50 mil pessoas trabalhando em seu canteiro de obras.

As principais empreiteiras que trabalhavam na construção dessa refinaria, foram "dragadas" pelo escândalo de corrupção da operação lava jato. Sem receber, passaram a ter problemas de caixa e a dever a fornecedores e empregados. A Petrobras suspendeu as obras do segundo "trem" de refino, deixando a refinaria pela metade. A onda de desligamentos só foi menor do que a da construção de Brasília.

Nesse complexo cenário econômico, o empresário reposicionou a Villa estrategicamente com muita velocidade, reduzindo a sua infraestrutura e procurando adequar a empresa à nova realidade do seu mercado. Muitas empresas de todos os segmentos não conseguiram se reposicionar na velocidade necessária, sendo arrastadas pela crise.

A estratégia de compras de ativos que sempre norteou a gestão da empresa, através da busca permanente pela compatibilização entre os prazos de pagamento, projeções de volumes de obras e seus respectivos prazos de finalização, permitiu a organização atravessar a crise de forma exitosa.

A Villa chegou em 2018 com 95% de todos os seus equipamentos quitados e como a maior empresa de locação de equipamentos de concreto do país. Todo este sucesso passou a exigir do empresário muito mais da sua dedicação em relação aos outros negócios.

Na crise o estado perdeu mais de 136 mil empregos. A Petrobras Transporte S.A. - Transpetro, cancelou a construção de navios encomendados aos estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar. A Companhia Petroquímica de Pernambuco - PQS e a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco - CITEPE, que juntas custaram aproximadamente R$ 9 bilhões, foram vendidas por algo em torno de R$ 1,2 bilhão para a mexicana Alpek SAB de CV.

Essa situação seria ainda pior se não fosse o polo automotivo de Goiana na mata norte. Um dos mais modernos do mundo, que apesar dos gargalos de infraestrutura, tem produzido para além do mercado brasileiro. A fábrica da Jeep e 16 de seus fornecedores empregam juntas mais de 9.000 pessoas.

Nesse complexo contexto socioeconômico, estudos recentes demonstram que o impacto do declínio ocorrido no Porto de Suape é tão grande, que a economia de Pernambuco não mais voltará a crescer acima dos patamares alcançados pelo país antes da crise, a menos que haja um "fato novo" extremamente relevante.

Apesar das dificuldades apresentadas, o empresário é muito otimista. Ele acredita que a partir de 2019, haverá uma reestruturação nas oportunidades do setor público e privado, que naturalmente levará de um a dois anos. Porém, ainda segundo ele, se a economia voltar a crescer pelo menos a taxas de 2,5% ao ano, haverá queda na taxa de desemprego e as obras de infraestrurura serão reformuladas e retomadas.

Para enfrentar essa nova fase, a Villa possui uma quantidade de bombas de concreto em seus ativos, assim como já adquiridas, suficientes em conjunto para atender às demandas do país, mesmo que a economia volte a crescer nos patamares anteriores ao da crise econômica, incluindo equipamentos específicos e de grande porte como o "Telebelt". A empresa é a única no país a locar esse tipo de equipamento, que transporta em alta velocidade, através de esteira e de forma não confinada, qualquer tipo de agregado, seja concreto, areia ou brita.

Nesse novo momento, considerando as oportunidades potenciais relacionadas à retomada gradual do crescimento econômico do país, assim como o ambiente externo, a empresa vem trabalhando com foco na operacionalização de um planejamento estratégico, que foi elaborado com horizonte até 2020. Com base neste planejamento, foi criada a Villa Internacional, utilizando todo o conhecimento decorrente de seu case de sucesso no país. A nova empresa, primeira empresa de capital aberto do grupo, está focada no mercado da América do Sul, com atuação num primeiro momento na Argentina.

Gadêlha, M.C.. Valuation: Você sabe calcular o valor da sua empresa?.  Revista Terra Magazine, Recife, 46a edição, p.76, ago. 2018. 


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Valuation: Você sabe calcular o valor da sua empresa?

Quando se chega no momento do "próximo passo", no crescimento da sua organização, quando eventualmente investidores podem ser requeridos para um novo posicionamento estratégico, conhecer o valor da sua empresa assume importância nunca antes imaginada por você e seus sócios.

Nesse contexto, calcular o valor é realizar o "valuation", do inglês "value" que significa valor. Assim, o "valuation" é o estudo ou processo de avaliação de empresas com o objetivo de determinar o seu valor mais provável de venda.

As três principais metodologias utilizadas para o valuation são: Fluxo de Caixa Descontando, Valor Patrimonial e Múltiplos de Mercado.

O método do Fluxo de Caixa Descontado, é o mais conhecido e utilizado em função da sua maior exatidão. Focaliza a análise do valor da empresa, a partir dos seus resultados históricos, como base para a projeção de seus resultados futuros. Funciona muito bem para empresas que apresentam efetiva lucratividade e, cujo fluxo de caixa está organizado.

Fluxo de caixa, é toda sistemática utilizada para controle da movimentação financeira de uma empresa, num determinado período de tempo, considerando os saldos inicial e final e todas as entradas e saídas de dinheiro, identificadas com base em registros detalhados.

O método do Valor Patrimonial, é bastante utilizado para negócios que possuem elevado valor em "ativos", como sistemas, máquinas e/ou equipamentos, enquanto o método de Múltiplos de Mercado, permite estimar o valor da empresa pela comparação com outras empresas similares, o que naturalmente o torna mais impreciso.

A ideia "base" do método do Fluxo de Caixa Descontado, está no fato de que a empresa deve valer o equivalente a sua capacidade de geração de recursos futuros para os sócios, projetados para um período definido.

Essa geração de recursos futuros, deve ser calculada a partir da determinação do Fluxo de Caixa Histórico, destacando-se de forma estratégica eventual "endividamento", e da determinação do Fluxo de Caixa Projetado, considerando empréstimos, despesas de financiamento de capital próprio e de terceiros, investimentos, novos processos, produtos, capacidades produtivas e cenários de reposicionamento e de ocupação do mercado.

O período a ser considerado não está previsto em qualquer regra de mercado. Depende do responsável pela análise, do setor, do tipo de negócio e do crescimento projetado. Para grandes empreendimentos consideramos o horizonte de 10 anos como aceitável. Em pequenos negócios é muitas vezes utilizado horizonte de 2 à 3 anos. Porém, consideramos prudente nestes casos o horizonte de 5 anos.

Com base no Fluxo de Caixa Projetado, pode-se calcular o Resultado da Movimentação Financeira, pela diferença entre o Resultado Líquido e os Investimentos, ano a ano no período considerado. Sobre estes resultados anuais, é aplicado um "fator de redução" denominado de Taxa de Desconto - TD, que traz os valores anuais projetados à um "valor presente", utilizando-se fórmula matemática específica.

A soma desses valores anuais corrigidos da movimentação financeira, representa o valor global do negócio, incluindo o capital próprio e de terceiros, os riscos e as demais oportunidades de investimento.

A Taxa de Desconto - TD, também denominada de Taxa Mínima de Atratividade ou de Taxa de Oportunidade, é aquela paga pelo mercado financeiro em investimentos correntes. Se caracteriza como a Taxa de Retorno Sobre o Investimento, para um comprador potencial, arbitrada com base na expectativa de rendimento dos principais indicadores de referência, como a Taxa de Juros Selic, por exemplo. Esta taxa representa a remuneração das instituições financeiras, nas operações com títulos públicos, comumente utilizada como balizador para as taxas de juros no país.

Para completar esta avaliação de forma objetiva, sob a ótica do investidor, utiliza-se a Taxa Interna de Retorno - TIR ou Taxa Interna de Rentabilidade, que representa a Taxa de Desconto Hipotética que, quando aplicada a um fluxo de caixa, faz com que os valores das despesas, trazidos ao valor presente, seja igual aos valores dos retornos dos investimentos, também trazidos ao valor presente. Assim:

TIR > TD: Investimento atrativo economicamente;

TIR = TD: Investimento em situação de indiferença;

TIR < TD: Investimento não atrativo economicamente.

Esse método, apesar da sua eficiência e do seu nível de utilização, não deve ser aplicado no "valuation" de "startups", pois estes negócios não apresentam dados históricos que assegurem projeções de receitas confiáveis e, principalmente, por apresentarem crescimento exponencial até a sua maturidade. Projetar a geração de riquezas inicial nestes casos, pode fugir muito da realidade.

Para finalizar, independentemente do porte e do estágio de avanço de uma organização, vale a pena destacar a importância da implantação e da manutenção de uma sistemática de Planejamento e Gestão de Fluxo de Caixa. Esta prática de gestão, é o instrumento requerido à previsibilidade financeira da organização a qualquer momento, cujos dados históricos são fundamentais para maior precisão em processos de "valuation".

Gadêlha, M.C.. Economia Brasileira: Ainda não podemos pensar no longo prazo. Revista Terra Magazine, Recife, 43a edição, p.98, jul./ago./set. 2017. 


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ECONOMIA BRASILEIRA AINDA NÃO PODEMOS PENSAR NO LONGO PRAZO

A expectativa do mercado para o governo temer, era a de que ele pudesse nos levar de um modelo de capitalismo de estado, intervencionista, para um modelo de capitalismo de mercado, onde a preocupação com a livre iniciativa, a redução da máquina do estado, a geração de infraestrutura e a regulação tivessem primazia.

Nosprimeiros dias de seu governo, as cinco principais iniciativas na percepção do empresariado, necessárias em conjunto para colocar o Brasil novamente na direção do crescimento, incluíam o ajuste fiscal, equilíbrio entre as receitas e as despesas do governo, a reforma da previdência, a transferência de ativos para a iniciativa privada através deprivatizações estratégicas, a flexibilização orçamentária, cuja desvinculação das despesas obrigatórias, nos levaria ao melhor contingenciamento na aplicação dos recursos e, a modernização da legislação trabalhista,cuja flexibilização das condições de trabalho poderia no médio prazo, ajudar a economia, além de reduzir a informalidade.

Énatural que uma agenda tão forte do ponto de vista político, tivesse que enfrentar tanta resistência como a que ocorreu no período recente, assim como é comum na política brasileira, por opositores a projetos em tramitação no congresso, a realização de propaganda negativa, muitas vezes sem a efetiva conexão com a realidade dos fatos, como no caso da reforma trabalhista.

Dessas principais iniciativas, destacamosa aprovação no final do ano passado, da Proposta de Emenda à Constituição - PEC, que limita o teto dos gastos públicos e, mais recentemente, com muita dificuldade, a aprovação da reforma trabalhista. Porém, a reforma da previdência, que se caracteriza no momento como a mais importante, diante do cenário da grave crise política, será de difícil realização neste governo.

Nesse contexto, como na economia ainda não podemos pensar no longo prazo, uma medida extremamente positiva, porém pontual e de efeitos de curto prazo, a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço -FGTS, segundo o ministério do planejamento, já somaaproximadamente 41,8 bilhões até julho de 2017.

A liberação desses recursos,diante de aproximadamente 60 milhões de consumidores em situação de inadimplência no país, segundo dados a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas - CNDL,nos mostra o forte impacto positivo da medida para milhões endividados.

O último lote de saques dessas contas agora em julho, injetará na economia algo em torno de R$ 3,5 bilhões.A expectativa é a de que deste valor, sejam destinados para os setores do comércio e de serviços aproximadamente R$ 1,2 bilhão. O varejo, setor onde houve um encolhimento de 108 mil pontos de venda somente em 2016, agradece.

Dos brasileiros que já sacaram de suas contas inativas, 41% destinaram os recursos para pagamento parcial ou total de compromissos em atraso, enquanto 44% dos que ainda vão sacar pretendem fazer o mesmo.Esta estratégia é muito importante, pois aproximadamente 80% dos endividados estão em atraso com os bancos, cujos juros no Brasil são asfixiantes.

Ainda com relação aos recursos do FGTS, pesquisas apontam para duas ótimas sinalizações, segundo elas, parcelas dos recursos já liberados foram destinadas para a poupança, aproximadamente 21%, enquanto parcelas dos próximos saques,devem ser destinadas para antecipações de pagamento de crediário, prestações de imóveis ou mesmo de veículos.

Se a antecipação de pagamentos se caracteriza como uma iniciativa extremamente positiva do ponto de vista da educação financeira, também demonstra um forte grau de insegurança da população, diante das incertezas decorrentes da crise política e econômica do país.

Nesse contexto, as últimas previsões do mercado, mesmo com o aumento dos impostos sobre os combustíveis, anunciado no fechamento desta edição, para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA em 2017, inflação oficial, apontam para uma taxa de 3,29%, sétima redução de previsão consecutiva. Desta forma, a expectativa é a de que a inflação deste ano ficará abaixo da meta central, que é de 4,5%, o que não ocorriadesde 2009. Para 2018 a previsão é de 4,20%, sexta redução de previsão consecutiva, também abaixo da meta central, que também é de 4,5%.

Em 2016 o Produto Interno Bruto - PIB, soma de toda a geração de riqueza do país, caiu pelo segundo ano consecutivo, caracterizandoa pior recessão da história brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Para 2017 e 2018, o mercado mantéma sua estimativa de crescimento de 0,34% e de 2%, respectivamente.

Todas as expectativas já apontam para uma redução mais significativa na taxa de juros selic, que se encontra em 10,25% ao ano, e que deverá fechar o ano de 2017 em 8,00% ao ano. Juros mais baixos representam na pior das hipóteses, mais emprego.

Apesar desse complexo cenário, o Brasil é tão extraordinárioque o mercado ainda estima a entrada de US$ 75 bilhões em investimentos diretos no país em 2017, valor suficiente para manter a continuidade do nosso otimismo.

Gadêlha, M.C.. Crescendo na crise. Revista Terra Magazine, Recife, 33a edição, p.107, jan./fev. 2015.  



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CRESCENDO NA CRISE!

O segmento de franquias vem crescendo de forma diferenciada, mesmo nos momentos de crise, atraindo cada vez mais novos empreendedores

Segundo a Associação Brasileira de Franshising, o setor cresceu 7,7% em faturamento no ano passado. Isto se deve principalmente, ao fato de que a probabilidade de se obter sucesso por meio do sistema de franquia, é muito maior do que a de se montar um negócio independente.

Já são aproximadamente 2.942 redes, 94,4% originalmente nacionais, das quais 16,5% são de São Paulo, 7,4% do Rio de Janeiro e 2,4% de Belo Horizonte, cuja soma representa 26,3% do global.

Franquias consolidadas possuem marca reconhecida e modelo de negócio formatado e testado, com destaque para as sistemáticas de capacitação, aquisição, produção, precificação e distribuição.

Na maioria dos casos, é possível ainda contar com dados e informações gerenciais das outras unidades franquiadas da mesma rede, o que se caracteriza como um processo de benchmarking continuado, fortalecendo a possibilidade de uma gestão extremamente eficiente, baseada na contínua melhoria dos indicadores de desempenho.

Tudo isso coloca o setor como uma alternativa de investimento extremamente segura, seja para expansão dos negócios existentes, seja para os novos empreendimentos, elevando de forma destacada a atratividade do semento, cujo crescimento em 2015, em que pese todas as sinalizações econômicas negativas para o país, deverá superar os 7,5%.

Nesse mercado, é importante que o investidor analise a viabilidade econômico-financeira do negócio, e que tenha certeza de sua afinidade com o produto ou serviço a ser comercializado. Algumas franquias permitem que o candidato a franquiado, acompanhe por algum tempo a operação, para que ele tenha a certeza de que seu perfil se enquadra no cenário das atividades do negócio.

Porém, o sucesso de qualquer novo negócio, entre outros aspectos, está relacionado ao comportamento da equipe na busca dos resultados planejados. Se considerarmos que esse comportamento depende das características pessoais, associadas às formas de atuação individuais, podemos afirmar, que alinhar e manter um grupo de pessoas atuando conforme um modelo de trabalho pré-definido de franquia, representa um dos mais importantes desafios do setor, e transforma a seleção de pessoas, num processo de investimento continuado de tempo da maior relevância.

Apesar do exposto, em época de crise, atrair novos clientes e estimular o consumo daqueles parceiros históricos, são grandes obstáculos para qualquer empresa. Nesse contexto, a propósito do que já foi comentado, franquias apresentam crescimento diferenciado, como decorrência principalmente de marcas fortes e de processos internos estruturados, fatores que as destacam fortemente num ambiente de escassez de renda.

No contexto das potencialidades do segmento, a interiorização vem ganhando grande atenção, como decorrência sobretudo do elevado crescimento nos custos dos alugueis nos grandes centros urbanos, associado ao crescimento no poder de compra das classes menos favorecidas.

Hoje, aproximadamente 25% das franquias já se encontram fora das capitais e regiões metropolitanas. O potencial de consumo nas cidades do interior do país, segundo dados do Sebrae, supera os R$ 827 bilhões ao ano, equivalente a aproximadamente 38% do total do consumo no país. Dessa forma, a interiorização se apresenta como uma grande oportunidade de negócios, cuja contribuição para a geração de emprego e renda fora dos eixos metropolitanos precisa ser considerada.

Se focalizarmos as opções de franquia de baixo investimento, mais procuradas pelos micro, pequenos e médios empreendedores, merecem destaque no momento: Beleza e estética, microfranquias, serviços, franquias virtuais, marketing digital, pet e alimentação.

Nesse cenário de alternativas, nossa atenção especial está voltada para os setores de beleza e estética e de microfranquias. O primeiro vem crescendo de forma extraordinária, principalmente em função do crescimento de renda da população, se caracterizando como uma das melhores alternativas. Com relação às microfranquias, este tipo de negócio já representa aproximadamente 5% do mercado, cujo investimento inicial, inferior a R$ 80.000,00 para os mais variados segmentos, vem atraindo cada vez mais investidores. As franquias ligadas a serviços domésticos de reparos e manutenção, se mostram como excelentes alternativas de investimento. Tudo isso nos leva a afirmar que, franquia hoje, representa marca associada a know how, permitindo independência, controle e resultado.

Gadêlha, M.C.. Planejamento financeiro: Mais um desafio na crise. Revista Terra Magazine, Recife, 37a edição, p.100-101, out./nov. 2015.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO

- MAIS UM DESAFIO NA CRISE -

Em 2015 o número de empresas que fecharam as portas no país já supera o patamar das 400.000, maior taxa dos últimos 8 anos. O crescimento na mortandade, está relacionado a uma péssima combinação: crise econômica, maior rigor na contratação de crédito e juros mais elevados.

Esse cenário negativo se aprodunda pela dificuldade das empresas de planejar e gerir o seu fluxo de caixa, principalmente quando da necessidade sistemática de contratação de operações de "desconto"ou seja, antecipação de recebíveis.

Segundo Jim Collins, hoje o mais destacado pensador do mundo dos negócios, empresas excepcionais são extremamente disciplinadas e conservadoras na gestão do caixa.

A primeira vista pode parecer que num mundo rápido, reagir na mesma velocidade é a melhor saída. Collins analisou mais de uma centena de eventos que alteraram rapidamente o ambiente competitivo de companhias referenciais. Segundo ele, as organizações com melhores resultados não foram aquelas que reagiram primeiro, os líderes das empresas vencedoras fazem análises profundas, avaliam experiências anteriores e basicamente não ligam para o que os outros dizem, o chamado "efeito manada".

A partir dessa visão, conclui-se que mesmo num ambiente de crise é necessário planejar a médio e longo prazo, é fundamental ter um "norte" a cada momento, é necessário planejar e atualizar periodicamente o fluxo de caixa.

No atual estágio de nossa sociedade, que se caracteriza principalmente pela capacidade de se obter e compartilhar qualquer informação em tempo real de qualquer lugar, a percepção de que os dias, os meses, os anos estão passando numa velocidade incrível, gera como principal desafio às lideranças empresariais, exatamente compatibilizar planejamento, ação e velocidade. Porém, planejar não faz parte da nossa cultura requerendo efetiva mudança de comportamento, o que vai de encontro a natureza do ser humano que é reativa por natureza. Procuramos sempre os mesmos caminhos, sentamos nas mesmas posições em reuniões e nos perpetuamos em diversas situações por uma "fraqueza" comum a todos nós, em dimensões diferentes, a resistência à mudança. Nossas "forças" já nos trouxeram até onde estamos. Os "saltos" qualitativos em nossa vida pessoal e profissional depende de nossa capacidade de enxergar nossas "fraquezas" e de trabalhar para minimizá-las.

Nesse contexto o principal obstáculo para a implementação de uma sistemática de planejamento de fluxo de caixa nas empresas, não está na dimensão da técnica e sim na dimensão do comportamento. Do ponto de vista técnico, muitos sistemas de gestão da informação, os chamados ERP´S, ou Enterprise Resource Planning possuem módulos de planejamento de fluxo de caixa.

Apesar do exposto, uma simples combinação de planilhas do excel, pode atender plenamente às necessidades de qualquer tipo e porte de organização de forma totalmente personalizada. Basta para isso, um certo nível de organização que deve incluir num mesmo arquivo, planilhas com projeções para a evolução nas vendas de produtos e/ou serviços, para as receitas incluindo as operações de "desconto", para a evolução nos custos variáveis a partir de premissas de correlação com as projeções de vendas, além de planilhas para os passivos, custos fixos, impostos e investimentos, entre outras "rubricas" que mereçam tratamento em separado.

Todas essas planilhas devem ser combinadas entre si da forma necessária e condensadas num balanço projetado de resultados para o período desejado, que deve ser atualizado mensalmente, cuja geração de caixa deve ser apresentada graficamente para a rápida compreensão visual.

Todas as projeções de receitas e de desembolso previstas no planejamento de fluxo de Caixa, devem ser perseguidas de forma paranoica, visando assegurar aderência da realidade em relação aos resultados esperados, de forma que a representação gráfica desse planejamento deve funcionar como um painel de controle na gestão do negócio.

A operacionalização dessa prática de gestão, só se viabiliza de forma continuada no longo prazo, nas empresas que tratam a mudança de comportamento requerida com a importância e a prioridade necessárias. Estamos falando de Gestão de Mudanças, que envolve todos os processos, ferramentas e técnicas para gerenciamento dos aspectos relacionados a uma transformação requerida, observando determinados resultados em termos de qualidade e prazo.

As empresas mais impactadas pela crise em 2015, certamente não praticavam o planejamento de fluxo de caixa de médio e longo prazo, ou se o faziam, a prática não estava estruturada da forma requerida.

Gadêlha, M.C.. Governo e iniciativa privada: Dever de casa na crise. Revista Terra Magazine, Recife, 40a edição, p.92-93, mai./jun./jul. 2016.

Reprodução Livre do Artigo Pelo Autor

GOVERNO E INICIATIVA PRIVADA

- DEVER DE CASA NA CRISE-

Nos últimos meses, a cobrança para que medidas efetivas de combate às raízes da crise econômica, pela qual passa o país hoje tem sido enorme. Porém, o retorno ao crescimento somente será viabilizado, através da combinação de iniciativas nas dimensões do governo e da iniciativa privada. Esta última precisa sobreviver a esta dura fase e se preparar para o surgimento mais adiante, no médio prazo, de um ambiente favorável para os negócios.

Se consideramos como efetivamente bem intencionada, a ideologia política reinante nos últimos anos, que patrocinou a ideia de que o estado deveria ser o responsável direto pela geração de emprego e renda, ou seja, pelo crescimento econômico, estaremos diante de um grande equívoco histórico.

Esse modelo de capitalismo de estado, intervencionista, se caracteriza como um dos fatores responsáveis pelo cenário de crise econômica, desenvolvido gradualmente no período recente.

O capitalismo de estado, não foi exitoso em qualquer que tenha sido o cenário a nível mundial, de forma que não deveria ser diferente no Brasil.

O crescimento sustentável de uma nação, dever de casa agora do governo Michel Temer, depende da capacidade de se gerar as condições favoráveis ao desenvolvimento. Estamos falando de educação, saúde, infraestrutura, valorização da livre iniciativa, regulação e estabilidade jurídica.

Quando se fala em regulação, é importante destacar que ela não pode representar burocracia, muito menos subsídios ou isenções tarifárias seletivas.

Na agricultura, onde intervencionismo recente pode ser considerado como baixo, o brasil se tornou um dos maiores produtores mundiais de grãos, sendo o maior exportador mundial de café, açúcar e soja.

No complexo contexto político e econômico do país hoje, alguns desafios se apresentam de forma diferenciada, dentre eles destacamos a reforma da previdência, o ajuste fiscal, a Transferência de ativos para a iniciativa privada, ou seja, a privatização, a modernização da legislação trabalhista, e a simplificação tributária, principalmente através da unificação de alicotas.

Dentro do contexto dessas medidas pragmáticas, não se pode esquecer do grande desafio relacionado à manutenção dos programas sociais, que requerem choque de gestão, sobretudo na aplicação mais eficiente dos recursos e na efetiva mensuração dos resultados, como ponto de partida para a sustentabilidade desses programas.

Esse desafio inclui a necessidade de ajustes nos programas, de tal forma a compatibilizar o bolsa família à inclusão produtiva, o que vai requerer o aprimoramento de iniciativas como o PROGRAMA NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO - PRONATEC, o FUNDO DE FINANCIAMENTO ESTUDANTIL - FIES e o PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS - PROUNI, que devem a partir de agora, estar sintonizados com as necessidades de qualificação profissional dos menos favorecidos, frente aos desafios de crescimento na produtividade empresarial.

Todas as iniciativas apresentadas, se efetivamente implementadas, serão responsáveis em conjunto pela formação de um ambiente favorável para os negócios.

O dever de casa do empresariado, nos próximos meses, inclui a necessidade de mobilização da força de trabalho na redução dos custos e na renegociação dos contratos e dívidas. Os investimentos nesta fase e nos próximos meses, devem ser reduzidos e somente aplicados estrategicamente com foco no longo prazo.

As empresas com maior chance de sucesso são aquelas que conseguirem combinar cortes de pessoal com ganhos de eficiência operacional, assim como que puderem investir seletivamente e estratégicamente, com foco no longo prazo, em marketing, novos empreendimentos e compra de ativos.

Do ponto de vista operacional, essas empresas precisam priorizar quatro linhas de ação mais importantes. Em primeiro lugar, elevar o nível de monitoramento dos resultados, para assegurar velocidade de correção. Em segundo lugar, focalizar os consumidores com menor poder aquisitivo, ampliando o portfólio e o mercado de atuação. Em terceiro luguar, buscar de forma paranoica a manutenção da carteira de clientes e, por último, inovar.

Estatísticas apontam que para a conquista de um novo cliente, é necessário 1 ½ a 2 vezes mais esforço do que na manutenção de um cliente ativo. Porém, em situações de crise, além das dificuldades adicionais relativas ao crescimento na carteira de clientes, a manutenção dos clientes ativos se torna mais difícil e um desafio à sustentabilidade. Nesse cenário, quem investiu ao longo do tempo em qualidade, produtos e/ou serviços diferenciados, terá mais chances de sucesso nesta linha de ação.

No que tange à inovação, o foco deve estar voltado para o crescimento das receitas, a estruturação e a preparação do negócio para o momento de retorno ao crescimento.


Gadêlha, M.C.. Planejamento estratégico. Revista Terra Magazine, Recife, 41a edição, p.113, ago./set./out. 2016.

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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Na crise ou fora dela, planejar o futuro sempre será um grande desafio para as lideranças empresariais, porém na crise sempre será mais importante, pois são nesses cenários onde o risco à sustentabilidade é extremo

Planejamento estratégico é o conjunto de práticas de gestão, voltadas para a identificação da posição competitiva de uma organização, assim como das melhores estratégias para a sua sustentabilidade.

Nesse contexto, é importante lembrar que em toda e qualquer organização, existem três níveis de atuação. O nível operacional, onde atuam a pessoas que fazem acontecer. O nível tático, onde atuam as pessoas que devem focalizar a operacionalização das estratégias e, o nível estratégico, onde atuam as pessoas que devem focalizar o médio e o longo prazo.

As interfaces entre esses três níveis, assim como as formas de atuação em cada um, dependem do porte e da capacidade de planejamento de cada organização. Normalmente quanto maior a empresa, mais bem definidos são estes níveis. É comum nas pequenas empresas, que o nível tático "desça" e atue no operacional, assim como que o nível estratégico "desça" e atue no nível tático. Este modelo gera confusão e impede, mesmo nas condições de mercado mais favoráveis, o exercício de se pensar no médio e no longo prazo, responsabilidade primordial do nível estratégico.

Na crise ou fora dela, planejar o futuro sempre será um grande desafio para as lideranças empresariais, porém na crise sempre será mais importante, pois são nesses cenários onde o risco à sustentabilidade é extremo. A experiência tem mostrado, que a elaboração e a implementação de um planejamento estratégico consistente, minimiza os esforços para superação dos obstáculos à sustentabilidade e o crescimento.

Considerando essa necessidade, em qualquer que seja o porte da organização, um planejamento estratégico pode ser estruturado em quatro fases mais importantes: Definição da identidade organizacional, análise de cenários, formulação estratégica e desdobramento das estratégias.

Na primeira fase, o processo exige uma análise histórica da forma como a organização foi criada, incluindo os objetivos iniciais, o perfil de seus acionistas e o contexto socioeconômico da época. Num primeiro passo, tudo isto deve ser complementado por uma análise detalhada das evoluções ocorridas na organização ao longo do tempo, incluindo as dificuldades, as alterações em seu quadro de acionistas, assim como dos impactos dos diversos cenários socioeconômicos sobre a organização.

Toda essa análise deve assegurar o entendimento das principais linhas de atuação, onde o prazer da realização empresarial, associado ao talento, ao conhecimento e as experiências da força de trabalho, se uniram numa só direção, promovendo o que denominamos de zona de alto desempenho, que deve ser representada pela missão. O ser humano efetivamente produz mais e melhor quando atua naquilo que gosta. As empresas se comportam da mesma forma, pois elas são a expressão das pessoas que compõem a sua força de trabalho.

Tudo isso eleva a importância da missão, que muitas vezes é elaborada e tratada fora do contexto aqui apresentado. Na maioria dos casos com enfoque puramente comercial. Este tipo de situação gera um impacto negativo no processo de formulação estratégica, que perde consistência.

O segundo passo, consiste na identificação dos valores organizacionais, que podem ser definidos como os principais aspectos comportamentais positivos, assumidos pela força de trabalho de uma organização nos momentos de crise, e que podem potencializar o planejamento estratégico. Muitos profissionais de consultoria erradamente os definem como aspectos de comportamento, nos quais a organização acredita, porém, acreditar não significa praticar.

O terceiro passo consiste na identificação da visão, ou seja, da situação global representativa da performance desejada para a organização. Essa visão deverá nortear todo o processo de formulação estratégica.

A segunda fase corresponde à análise de cenários, que pode ser definida como um processo sistemático de coleta e tratamento de informações nos ambientes interno e externo à organização, que possam gerar impacto nas decisões e consequentemente nas operações.

Segundo o general e estrategista chinês Sun Tzu, em seu tratado militar A Arte da Guerra (FONTES, 2002), [...] aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, lutará sem batalhas sem perigo de derrota. Aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, terá iguais chances para a vitória ou para aderrota. Aquele que não conhece nem o inimigo nem a si próprio será derrotado em todas as batalhas.

Facilmente podemos replicar esse conceito para o mundo dos negócios, pois as empresas vivem rotineiramente uma guerra diária pela sobrevivência.

Nesse contexto, a análise de cenários pode ser estruturada a partir de três iniciativas distintas de igual importância, ou seja: Análise interna, caracterizada pela identificação das forças e fraquezas da organização, análise da concorrência, ou seja, do perfil das empresas competidoras e análise de mercado.

Os dados coletados nesta fase devem permitir em conjunto, a identificação das informações ativas necessárias e suficientes para suportar o planejamento.

A terceira fase corresponde à formulação estratégica, momento em que as fraquezas, oportunidades e ameaças, devem ser analisadas criticamente frente as palavras ou frases chave da missão, valores e visão, assegurando a identificação de todos os aspectos que efetivamente devem ser tratados, por se caracterizarem naquele momento histórico da organização como estratégicos.

Nesse contexto, pode-se afirmar que as palavras ou frases chave representativas das fraquezas, oportunidades e ameaças, que na análise crítica não impactarem no atingimento da Missão, dos Valores e/ou da Visão, ou seja, que não estão associadas a estes aspectos, podem ser importantes, porém não são estratégicas no momento histórico da avaliação. De forma diferente, aquelas fraquezas, oportunidades e ameaças, que por impactarem diretamente no atingimento da Missão, dos Valores e/ou da Visão, estiverem associadas a estes aspectos devem ser transformadas em objetivos estratégicos, a serem tratados no médio e longo prazo, dentro do contexto do planejamento estratégico.


Gadêlha, M.C.. Sucesso nos negócios - a importancia do poder do pensamento. Revista Terra Magazine, Recife, 42a edição, p.93, fev./mar./abr. 2017.

Reprodução Livre do Artigo Pelo Autor

- SUCESSO NOS NEGÓCIOS -

A IMPORTÂNCIA DO PODER DO PENSAMENTO

Henry Ford, um dos maiores empreendedores da história, costumava dizer: "se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo"

É comum escutarmos a frase: "...todo ano começa depois do carnaval...", logo, passado este período festivo e considerando a queda do Produto Interno Bruto - PIB em 2016 de 3,60%, anunciada oficialmente em março, seguramente é tempo para reflexão, principalmente sobre o sucesso e o fracasso de nossas iniciativas e projetos no mundo dos negócios no ano anterior. A partir desta demanda, o tema em destaque se mostra como extremamente oportuno e relevante, sobretudo numa fase de crise econômica sem precedentes na história do país.

Nesse contexto, se esquecermos o fundamentalismo, as religiões pregam sobre a importância de elevarmos o padrão dos nossos pensamentos, de perdoarmos e de pedirmos perdão por tudo aquilo que tivermos feito, e que possa ter impactado negativamente na vida das pessoas, mesmo que de forma inconsciente.

Por outro lado, segundo a lei da atração, o sucesso dos nossos negócios depende de pensarmos positivamente o tempo todo. Porém, diariamente temos dezenas de milhares de pensamentos, o que torna impossível qualquer tentativa de controlarmos estes pensamentos.

Segundo o "best seller" The Secret - O Segredo (BYRNE, 2007), quando nos sentimos bem, o padrão de nossas emoções e sentimentos se eleva, elevando como consequência o padrão de nossos pensamentos

Ainda segundo essa publicação, uma boa estratégia para se sentir bem está na gratidão. Desta forma, se começarmos cada novo dia agradecendo por estarmos vivos, por termos saúde, por estarmos próximos de nossos entes queridos e, por tudo aquilo que conquistamos na vida e que nos faz bem, estaremos elevando o padrão de nossas emoções, sentimentos e pensamentos.

Se associarmos a esses agradecimentos o perdão, e se mentalizarmos tudo isto não somente ao acordarmos, mais várias vezes ao dia, todos os dias da semana, no médio e longo prazo teremos uma grande chance de internalizarmos este novo padrão de pensamento, de forma a que ele passe a ser totalmente espontâneo e inconsciente.

A grande oportunidade de aprendizado e de autodesenvolvimento, está nas provações as quais somos submetidos ao longo de nossas vidas.

Porém, se objetivamente bem intencionados com base nos princípios da religião de cada um de nós, assim como instrumentalizados a partir das ferramentas da lei da atração, tivermos alcançado um padrão mais elevado de emoções, sentimentos e consequentemente de pensamentos, muitas das provações pelas quais deveríamos passar ao longo de nossas vidas, terão perdido o sentido, pois já teremos alcançado um estágio de evolução superior naquele determinado momento de nossas vidas.

Segundo David Hawkins, psiquiatra com PhD e grande pesquisador sobre o poder da mente, a consciência de cada ser humano tem uma vibração e representa um campo de poder e de potencial infinito. Ele criou uma escala para os diversos níveis da consciência humana, para os quais atribuiu nomenclatura própria.

Ainda Segundo ele, as duas maiores barreiras do crescimento espiritual estão nos níveis de frequência de 200 e de 500 Hertz. 

No nível 500, do "amor", que deve ser almejado por todo ser humano, o ego enraizado no domínio físico perde força frente ao domínio espiritual.

Nas dimensões inferiores, abaixo do nível critico, a depender de em que nível estivermos, o ser humano experimenta emoções, sentimentos e pensamentos voltados para o suicícido, passando pela sensação de incapacidade, falta de esperança, insegurança, depressão, paranoia, vício e raiva, entre outros sentimentos menores, caracterizando todo um conjunto de emoções, sentimentos e pensamentos de baixa eficiência energética.

Acima do nível crítico, ainda segundo Hawkins, o ser humano pode evoluir para escalas superiores, passando por emoções, sentimentos e pensamentos de confiança, conforto, reconhecimento do próprio papel no nundo e de auto-domínio, podendo chegar a sensação de felicidade inabalável, êxtase e de visão superior do mundo no nível da "iluminação".

Tudo que já foi exposto nos aponta para uma única direção, a da importância do pensamento para o sucesso de nossas iniciativas, não somente no mundo dos negócios, mais em toda a nossa vida. Henry Ford, um dos maiores empreendedores da história, costumava dizer: "...se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo...".

Nesse cenário, podemos afirmar que os princípios básicos das religiões, a lei da atração e os resultados das pesquisas do Dr David Hawkins, estão totalmente inter-relacionados e que se complementam de forma extraordinária, caracterizando todo um conjunto de diretrizes de vida, necessárias em nossa busca incessante pelo autodesenvolvimento, incluindo o sucesso de nossas iniciativas, projetos e consequentemente de nossos negócios. Porém neste cenário extremamente progressista, em termos de comportamento humano, teremos como pano de fundo o nosso papel e as nossas contribuições individuais no mundo.

Gadêlha, M.C.. Commodities: Movimento e Poder. Revista Terra Magazine, Recife, 39a edição, p.76-77, 2017. 

  Reprodução Livre do Artigo Pelo Autor  COMMODITIES: MOVIMENTO 

E PODER

Com a crise econômica mundial, a procura das matérias-primas que deveria reforçar o fortalecimento de economias emergentes como a do Brasil, não vem gerando os resultados esperados no país.

Essa crise vem provocando uma queda nos preços das commodities, bens em estado bruto de origem agropecuária ou de extração mineral ou vegetal, produzidos em larga escala como café, açúcar, soja, trigo, ouro, minérios diversos e o petróleo, entre tantos outros. Essa queda vem representando um forte impacto nessas economias mais dependentes da exportação.

Se esquecermos um pouco a crise, independentemente da época, as matérias-primas sempre sustentaram o crescimento e o poder. Na antiguidade o controle da água para o cultivo, na idade media a posse da terra para o feudalismo, na revolução industrial o carvão como principal fonte de energia e, mais adiante, o petróleo como a base para o surgimento do império americano. Este cenário se repete, mesmo na moderna economia no contexto da sociedade da informação.

Como em outros momentos da história, as matérias-primas também sinalizam a migração da riqueza e do poder, que hoje ocorre na direção dos países emergentes, pois são eles que mais produzem e consomem.

Se a movimentação e o preço das commodities voltar a crescer, o capital se voltará rapidamente para os países em desenvolvimento. Neste cenário, o futuro não será definido pelo declínio dos Estados Unidos, como se pensava até recentemente, más sim pela ascensão de países como o Brasil, se fizerem o "dever de casa", porém não estamos fazendo.

Os países emergentes apresentam potencial de crescimento diferenciado, como decorrência do crescimento da renda e do consumo das classes mais pobres. Quando os menos favorecidos melhoram de vida, comem mais e melhor, o que pressiona a produção de alimentos. A seguir, vestem-se melhor, o que demanda mais algodão. Na sequencia desejam eletrodomésticos e carros melhores, o que amplia a demanda por minérios e energia.

Nesse cenário de oportunidades, a África que possui terras férteis e grandes reservas minerais, inclusive Petróleo, apresenta governos onde imperam a ineficiência e a corrupção, enquanto as tribos se debatem em conflitos étnicos;

Também é preciso lembrar que as commodities são mais valiosas quando processadas. A capacidade de cada país de aproveitar suas riquezas naturais, promover o próprio desenvolvimento e fortalecer a sua influência política, vai depender da maturidade dos governos. A política "chavista" para o Petróleo, por exemplo, não trouxe benefícios concretos para a população da Venezuela.

O Brasil possui um dos maiores mercados consumidores do planeta. Nos últimos dez anos, ascenderam à classe média mais de 40 milhões de novos consumidores o que estimulou o crescimento em diversos setores, se caracterizando como o maior mercado emergente mundial depois da China.

Possui uma das dez maiores reservas de petróleo do planeta, sendo o maior exportador mundial de café, soja, carne de frango, carne bovina, açúcar, suco concentrado de laranja, tabaco, etanol e minério de ferro.

Nosso potencial é extraordinário, porém o Brasil corre o risco de se transformar no eterno "pais do futuro".

Esse cenário está fortemente associado ao modelo de interferência do governo na economia, assim como à ineficiência na gestão pública e à corrupção. A Petrobras hoje, vem se materializando como principal exemplo dos resultados deste modelo.

Segundo John D. Rockefeller, fundador da Satandard Oil Company no início do século passado, "...o melhor negócio do mundo é uma empresa de Petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio do mundo é uma empresa de Petróleo mal administrada...".

A gigante brasileira detém a mais avançada tecnologia para extração em águas profundas e é conhecida como centro de excelência em prospecção de reservas. Mesmo com as descobertas gigantescas de reservas como a de Tupi em 2008, independentemente dos problemas de corrupção hoje de conhecimento público, o desempenho da empresa tem sido ruim a muito tempo, se comparado ao setor a nível mundial.

A origem dos problemas da Petrobras tem raízes antigas, o viés político criou na organização uma cultura em que o que contava era a capacidade de articulação política e não os aspectos técnicos.

Hoje a sociedade sabe que cargos executivos vinham sendo utilizados para a solução de disputas políticas e financeiras.

A queda nos resultados da empresa, independentemente dos escândalos de corrupção alardeados na mídia, revelam a distância entre a estatal brasileira e as grandes petrolíferas do mundo.

Todo esse contexto nos assegura que a posse de grandes reservas de riquezas naturais, efetivamente não é suficiente para o sucesso econômico de países emergentes como o Brasil. A sorte de deter estas riquezas precisa estar associada a capacidade de saber o que fazer com elas.

Gadêlha, M.C.. Controladoria: Suporte Efetivo à Tomada de Decisão. Revista Terra Magazine, Recife, 44a edição, p. 104, 2018.

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CONTROLADORIA: SUPORTE EFETIVO À TOMADA DE DECISÃO

A pouco mais de 100 anos, duas equipes de desbravadores participaram de expedições até o então inexplorado Polo Sul. Uma delas liderada pelo norueguês Roald Amundsen e, a outra, pelo britânico Robert Scott. Amundsen venceu a neve, a baixa temperatura e um longo trajeto desconhecido até chegar ao destino final.

Scott e sua equipe atingiram o Polo Sul 34 dias depois de Amundsen, que atingiu seu objetivo em 14 de Dezembro de 1911. A equipe do britânico jamais voltou, seus cinco integrantes morreram no retorno.

Uma equipe triunfou enquanto a outra foi devastada, no mesmo momento histórico frente às mesmas adversidades. Amundsen era um líder meticuloso, planejou sua jornada de forma extremamente obstinada, detalhista e exaustiva, enquanto Scott, mais vaidoso, era extremamente improvisador.

Nos dias atuais, o exemplo extraordinário de capacidade de planejamento de Amundsen, frente às grandes mudanças que vêm ocorrendo no mundo em todas as áreas do conhecimento, principalmente como decorrência dos avanços na tecnologia da informação, vem se tornando cada vez mais um requisito para todo gestor, seja ele empresário ou executivo, em qualquer porte de organização.

Esses avanços têm provocado modificação de conduta, costumes e tendências, em velocidade nunca antes percebida, promovendo o que chamamos hoje de "Sociedade da Informação", estágio caracterizado pela capacidade de se obter e de compartilhar qualquer informação, em tempo real, de qualquer lugar.

Nesse novo cenário, o grande diferencial do gestor está na sua capacidade de identificar estrategicamente e em tempo real, os dados relevantes do seu negocio, analisa-los transformando-os em informações e, a partir deste balizamento, estabelecer ações de correção e/ou de melhoria, transformando essas informações em informações ativas. Este processo somente pode ser viabilizado através da utilização de conceitos e de práticas de gestão de controladoria.

A partir dessa necessidade podemos dizer que a administração cuida da gestão dos recursos e do processo decisório, enquanto a contabilidade cuida do patrimônio monetário da organização, registra e fornece informações financeiras.

Se por um lado a função principal do administrador é de gerir a organização tomando decisões, por outro lado, entre outras atividades, a função do contador é a de cuidar da informação fiscal e, de fornecer subsídios para que o administrador possa exercer com eficácia a sua tomada de decisão.

O contador pode ir além, participando também do processo de tomada de decisão, sendo necessário para isso, que incorpore conhecimentos de gestão organizacional. Neste caso, este profissional deixa de atender apenas às necessidades fiscais.

Essa visão integradora da atuação dos profissionais da administração e da contabilidade, provoca nas organizações, a necessidade de um modelo de gestão sistêmico, para tanto na rotina diária da gestão, o planejamento, o foco para a realização do que tiver sido planejado, o controle da execução e as ações de correção e/ou de melhoria, devem ser respaldadas efetivamente pelos dados e informações, a depender da empresa, do seu ERP, ou Enterprise Resource Planning, que pode ser traduzido como Planejamento de Recursos Corporativo, plataforma de software, ou sistema de informações gerenciais que integra todos os dados e processos da empresa.

Empresas menores, que eventualmente não possuam um ERP, podem da mesma forma, utilizar modelos de sistemas de informações gerenciais, de menor complexidade, como planilhas indexadas no excel, que podem, a depender da abrangência e da profundidade destas planilhas, se caracterizar como efetivos modelos de "conciliação bancária" e de "balanço de resultados" em tempo real.

Assim podemos dizer que a controladoria se caracteriza pela utilização dos conceitos e técnicas derivadas da contabilidade, economia e administração, visando principalmente à geração das informações necessárias à tomada de decisão.

A responsabilidade por estas atividades, costuma ficar sob a supervisão de um único gestor, o "controller" ou controlador, que focaliza principalmente, planejamento, orçamento e controle da medição do desempenho, focalizando ainda, a modelagem, construção e manutenção dos sistemas de informações e modelos de gestão.

Cabe a controladoria, o estabelecimento dos padrões de controle, que devem ser definidos como as referências em relação às quais, a performance da organização será comparada nas etapas críticas de todos os processos.

Em qualquer que seja o porte da organização, a sequência lógica para implementação de um modelo de controladoria, deve prever como 1ª etapa a elaboração de um planejamento orçamentário.

Esse planejamento deverá estar rigorosamente em sintonia com o planejamento estratégico da organização e, contemplar da forma mais apropriada o planejamento tributário.

Com base nesse planejamento integrado, a gestão com base em indicadores de desempenho e os padrões de controle estabelecidos, incluindo sistemáticas de auditoria, representam em conjunto, o grande resultado decorrente da implementação de um modelo de controladoria.

Gadêlha, M.C.. Conforto, Sustentabilidade e Qualidade. Essas São as Soluções Comercializadas Pela Arbor, Fabricante de Cortinas e Persianas. Revista Terra Magazine, Recife, 45a edição, p. 72-73, 2018. 

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CONFORTO, SUSTENTABILIDADE E QUALIDADE, ESSAS SÃO AS SOLUÇÕES COMERCIALIADAS PELA ARBOR, FABRICANTE DE CORTINAS E PERSIANAS

Há 19 anos no mercado, a empresa criada pelo empresário Gustavo Nascimento, que foi instigado comercialmente por um tio que já atuava no segmento, e apoiado financeiramente pelo seu pai, hoje é "tocada" por ele e por sua esposa Isabel de forma extremamente profissional. Ao longo de todo este período, a experiência acumulada pelo seu pai em mais de 40 anos como executivo, sempre esteve presente na rotina da organização, pelo exercício continuado da transferência de seu conhecimento.

Engenheiro de Produção, Gustavo sempre procurou utilizar sua fábrica como ambiente de experimentação, principalmente na contínua otimização dos fluxos, layouts dos processos, procedimentos e do nível de automação. Ele acompanha o surgimento de cada nova tecnologia mantendo os processos de fabricação sempre atualizados. A precisão no corte, decorrente do uso de máquina de última geração é um exemplo deste esforço.

A equipe da Revista Terra Magazine teve a oportunidade de visitar as instalações da empresa, no bairro da imbiribeira, que hoje atende a todos os estados do nordeste, e de conhecer com detalhe todo o processo produtivo. Entre os produtos comercializados, se destacam principalmente cortinas, persianas, toldos e pérgolas.

O ponto de partida da visita ocorreu na Sala dos Catálogos, que abriga desde os primeiros mostruários, local onde tivemos a percepção clara do tamanho do negócio. A Linha de Produtos Real apresenta mais de 1.500 itens diferentes no estoque e mais de 600 tipos de tecidos. Boa parte das matérias-primas desta linha é adquirida no mercado nacional, pois existem bons fornecedores locais, porém, no caso da Linha de Produtos Arbor, 99% das matérias-primas são importadas, principalmente dos Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Turquia, Coréia e China.

Na Linha Arbor, a maioria dos produtos apresentam diversas Certificações Internacionais de confiabilidade para os materiais utilizados, incluindo a depender do produto, menor absorção do calor e da poeira, não propagação de chamas, proteção contra a proliferação de fungos e bactérias e isenção do Chumbo, entre outros.

Com layout global em forma de "U", nas instalações industriais o fluxo de produção se inicia na área de armazenamento de matérias-primas. Nas áreas de produção, chama a atenção dois aspectos mais importantes: A preocupação com o fluxo racional dos processos, visando à melhoria contínua da qualidade, da produtividade e da segurança industrial e, a preocupação com as condições de trabalho, que inclui uma Sala de Lazer para os empregados, que se caracteriza como um ambiente de estudo, pois possui uma biblioteca, descanso e convivência. Este ambiente é simples, amplo e adequado às necessidades da força de trabalho da organização.

Na área administrativa, chama a atenção a Sala de Treinamento Monica Maria, nome dado em homenagem a uma importante colaboradora já falecida. A sala funciona principalmente como showroom e ambiente de capacitação para arquitetos.

A comercialização dos produtos é realizada exclusivamente pelas lojas especializadas, não havendo venda direta ao consumidor. Porém, segundo Isabel, responsável pela Área Comercial e de Marketing, o arquiteto é um importante parceiro no processo comercial, requerendo atenção diferenciada, principalmente em função do fato de que a empresa não vende simplesmente cortinas e persianas, vende as soluções de conforto, sustentabilidade e qualidade que suas cortinas e persianas podem oferecer.

Os materiais utilizados, a depender das soluções idealizadas, bloqueiam parcialmente a passagem do calor para os ambientes, reduzindo o consumo de energia elétrica dos aparelhos de ar condicionado e, consequentemente as emissões de gases Hidrofluorcarbonos (HFC), mais potentes do que o Dióxido de Carbono (CO2) em prender gases de efeito estufa na atmosfera, apontados como responsáveis pelo aquecimento global. A economia de energia elétrica decorrente do uso destes materiais, em função da solução e do investimento, pode se pagar em até três anos.

Na visão da empresa, nesse contexto, o arquiteto pela sua própria formação técnica, naturalmente apresenta uma grande curiosidade profissional, estando sempre na busca de novas soluções. Ele busca materiais certificados, sustentáveis e consequentemente mais eficientes do ponto de vista energético. Desta forma, quando bem informado, o arquiteto se caracteriza como um forte aliado das soluções da Arbor, sendo um grande facilitador comercial.

No que tange a pessoas, percebe-se claramente que o casal sente um grande prazer com a geração de empregos, e que buscam para a sua força de trabalho o que a Isabel chama de "espírito de propriedade". Estamos falando de pessoas que se sentem "donas" do negócio, que são empreendedoras de si mesmas focando sempre o autodesenvolvimento.

A capacidade de autodesenvolvimento é uma competência cada vez mais presente nas discussões nas empresas, sendo um dos fatores críticos para carreiras de sucesso. Tem a ver com protagonismo, com fazer acontecer. Profissionais que focam naturalmente o autodesenvolvimento são mais adaptáveis, lidam melhor com as pressões e os desafios, decorrentes das mudanças nas tecnologias e processos requeridos à sustentabilidade das empresas.

Nesse contexto, segundo Gustavo, seu principal estoque é formado pelas ideias das pessoas que compõem a força de trabalho. Para Isabel, os empreendedores da região precisam investir mais na seleção, contratação e capacitação da mão de obra, precisam acreditar mais no potencial de suas empresas, assim como o mercado consumidor precisa prestigiar mais as empresas locais. Ainda segundo ela, existem na região muitas empresas sérias que fazem um trabalho brilhante, que buscam sempre o melhor, que se renovam a cada dia, e que procuram oferecer produtos e serviços de qualidade.

O casal afirma que a Arbor é sempre muito bem recebida por todos os parceiros internacionais, parceiros que em suas visitas às instalações da empresa, demonstram claramente o respeito e o encantamento com o trabalho e a criatividade da força de trabalho da organização. Estas experiências mostram efetivamente como uma empresa local, acreditando no seu potencial, investindo na sua força de trabalho, pode ser um competidor global em qualquer cenário de seu segmento. 

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